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Palestra da ministra Marluce Caldas encerra o XXII ENJA em Maceió

Durante três dias, evento reuniu mais de 2 mil jovens advogados e advogadas de todo o país, que tiveram a oportunidade de assistir a palestras sobre temas jurídicos atuais e compartilhar experiências com profissionais de diversas áreas do Direito

Após três dias de intensa programação, a XXII edição do Encontro Nacional da Jovem Advocacia (ENJA) foi encerrada nesta sexta-feira (17), no Centro de Convenções de Maceió, com a palestra magna da ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marluce Caldas, que falou sobre a importância das mulheres nos espaços de poder. Também estiveram presentes à solenidade de encerramento o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL) Vagner Paes; o vice-presidente do Conselho Federal da OAB (CFOAB), Felipe Sarmento; o prefeito de Maceió, JHC, e a presidente da Comissão Nacional da Jovem Advocacia e do Conselho da Jovem Advocacia de Alagoas, Gabriela Tavares. 

Na ocasião, Vagner Paes ressaltou a importância do ENJA e destacou a participação da ministra Marluce Caldas para fechar o evento com chave de ouro. “Nos últimos dias, Maceió foi a capital jurídica do país e é com muita honra que recebemos a ministra, que tem uma trajetória marcada pelo respeito à advocacia, seja na vida acadêmica ou na sua passagem pelo Ministério Público. Sempre foi uma agente pública que respeitou a advocacia”, afirmou Vagner Paes, pontuando que os jovens advogados e advogadas são o futuro da profissão. 

O vice-presidente do Conselho Federal da OAB, Felipe Sarmento, citou a competência de Alagoas para sediar grandes eventos e a relevância do ENJA para a advocacia jovem. “O evento mostrou que temos competência para realizar grandes eventos e é com o sentimento de dever cumprido que encerro o ENJA. Este encontro representa um marco na jornada de cada participante, um espaço onde a voz da jovem advocacia ecoa com força e clareza. Testemunhamos uma edição histórica. A jovem advocacia representa a inovação da profissão, um espaço de escuta e aprendizagem”, afirmou.

Em uma palestra marcante e inspiradora, a ministra Marluce Caldas abordou temas como a presença feminina nos espaços de poder, os desafios enfrentados pelas mulheres nas carreiras jurídicas e o papel transformador da juventude na advocacia.

“Esse evento é como um rito de passagem, uma verdadeira metamorfose para muitos presentes, pois precisamos construir pontes e derrubar muros. Precisamos ser ponte, por meio do Direito, entre as pessoas. O ENJA é um espaço de escuta, um ato de fé na juventude jurídica, na força das ideias e no poder da ação. É uma imersão na realidade, nos desafios e nas possibilidades para todos nós, operadores do Direito”, afirmou. 

A ministra também fez um apelo pela união e sororidade entre as mulheres da advocacia. “Vejo muitas mulheres nas universidades, mas nas carreiras de poder ainda são os homens que estão lá. Não podemos ser abelhas-rainhas, precisamos nos unir. A verdadeira liderança feminina floresce quando é solidária. Enquanto o homem caminha por um caminho reto, a mulher encontra um labirinto. Com sensibilidade e coragem, o labirinto vira caminho”, falou.

Aos 66 anos, Marluce Caldas compartilhou sua trajetória e falou da importância de conciliar tecnologia e sensibilidade no exercício da advocacia. “Sou hoje uma jovem idosa e estou recomeçando. A liderança feminina é, muitas vezes, posta à prova com muitos caminhos sinuosos. Nos últimos dois anos, antes de ser nomeada ministra, senti na pele o quanto nós mulheres somos prejudicadas por causa das crenças sociais. E não podemos culpar os homens, pois eu encontrei muito apoio vindo de advogados, como o Vagner Paes e o Felipe Sarmento. Por isso digo, precisamos nos unir, participar”, afirmou. 

Ela destacou ainda o importante papel das novas tecnologias, que leva para dentro dos tribunais os advogados e advogadas que não podem estar presentes. Ao mesmo tempo, pontuou que a sensibilidade para lidar com os casos é de responsabilidade do ser humano. “A sensibilidade a máquina não tem. Cabe ao advogado trazer essa humanidade, provocar, fazer essa revolução, pois o Direito é uma forma de cura social. Podemos deixar para a máquina o resumo, o relatório e a contagem de processos”, disse a ministra.

Dirigindo-se aos jovens advogados e advogadas presentes, ela disse que é a vez deles lutarem por justiça digital, climática e social. “Vocês são os guardiões do amanhã. A advocacia exige coragem para aprender, errar e reaprender, humildade e sabedoria. O ENJA é uma imersão na realidade, nos desafios e nas possibilidades para todos nós, operadores do Direito”, concluiu a ministra alagoana, destacando o orgulho de representar o Nordeste e todas as mulheres invisíveis, mas fortes, que constroem o Direito no Brasil.

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